II Encontro Soberania Digital e Tecnodiversidade

Pensar as tecnologias a partir do territórios

A Rede de Pesquisa em Governança da Internet (REDE), em parceria com o Laboratório de Estudos Sociotécnicos da Universidade do Pará (UFPA), convida a comunidade acadêmica e a sociedade civil organizada para este Encontro que se dirige à discussão de temas emergentes no âmbito da Governança da Internet, priorizando o engajamento e fortalecimento de comunidades atingidas por grandes obras de infraestrutura de comunicação, a partir de oficinas com metodologias ativas e com o envolvimento da comunidade local.

A primeira edição ocorreu em Curitiba, em 2024, como um evento pré Fórum da Internet no Brasil (FIB14), reunindo cerca de 80 pessoas que participaram de oficinas, mesas redondas e palestras. Nesta segunda edição, o Encontro acontece às vésperas do Fib16 em Belém, capital do Pará, e busca proporcionar um debate que possibilite a escuta dos povos e coletivos que lutam a partir dos seus territórios, seja pela construção de uma internet soberana, seja contra os impactos que as infraestruturas de comunicação podem acarretar aos seus modos de vida.

Data e local

24 de maio de 2026

Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) – Passagem Paulo VI, 244 – Cremação, Belém – PA

Para se inscrever, clique aqui. As vagas são limitadas.

Programação

BOAS VINDAS: 8h30 às 9h

OFICINA 1: 9h às 10h30

ESTRATÉGIAS DE SUPERAÇÃO E REAGENCIAMENTO DA BRECHA DIGITAL

Essa oficina tem por objetivo apresentar e debater formas de desenvolvimento crítico do conhecimento nas áreas de tecnologia. O propósito é debater formas de reapropriação tecnológica em diferentes localidades e grupos sociais, ressaltando soluções e problemas técnicos e organizacionais no acesso à Internet.Dado o contexto de conectividade ausente ou incipiente que atinge diversas comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas na região amazônica, bem como a pouca participação que mulheres, pessoas LGBTQIA+ e a população negra têm na área de STEAM, o tema da oficina ganha ainda mais importância e centralidade.

Participantes:

Vic Argolô (UFPA/Cedenpa)

Danielle Costa (UFPA/Manas Digitais)

Milena Cramar (ISOC Brasil)

OFICINA 2: 10h30 às 12h

FICAR COM O PROBLEMA: CONSTRUINDO FUTUROS POSSÍVEIS POR MEIO DA APROPRIAÇÃO TECNOLÓGICA

A dificuldade histórica de acesso à educação formal de determinados grupos afeta tanto o acesso aos espaços de discussão e decisão, quanto a participação efetiva no mercado de trabalho, contribuindo para a construção de um mundo digital marcado pelo racismo, pelo machismo e pelas diferenças de classe. Nesse sentido, a construção de um mundo digital mais equitativo passa pelo fortalecimento de uma educação de qualidade na esfera tecnológica. o objetivo desta oficina é apresentar e discutir as alternativas educacionais e os espaços formativos sobre internet e tecnologia, que repercutem em apropriação tecnológica, que diferentes grupos têm produzido, visando a ampliação, fortalecimento e maior apropriação dessas ações.

Participantes:

Bea Tibiriça (Coletivo Digital)

Joana Varon (Coding Rights)

Alexandre Boava (NTMTST)

ALMOÇO: 12h às 13h30 (Servido no local – Roteiro Cozinha Periférica)

OFICINA 3: 13h30 às 15h30

IMPACTO DAS INFRAESTRUTURAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

A materialidade dos impactos socioambientais da infraestrutura que dá corpo ao funcionamento da Internet já não é segredo ou surpresa, mas esse tema ganhou ainda mais urgência e relevância a partir da corrida para instalação de grandes data centers no Brasil e na América do Sul, inclusive voltados à hospedagem de grandes plataformas e ao funcionamento de sistemas da Inteligência Artificial. Nesse contexto, a oficina tem por objetivo promover o encontro, o debate e a troca de experiências entre comunidades impactadas por infraestruturas de comunicação, como data centers e grandes obras de mineração, com vistas a identificar as especificidades vivenciadas por cada comunidade, bem como compartilhar formas de organização e resistência.

PARTICIPANTES

Áurea Anacé (Liderança indígena de Caucaia – Ceará)

Alex Potiguara (Pesquisador – PUCSP)

Julia Catão Dias (Pesquisadora e ativista)

Felipe Rocha da Silva (Lapin)

LANÇAMENTO DE LIVROS + CONFRATERNIZAÇÃO: 15h30 às 17h30

  • Tecnologia Sem-Teto: por territórios digitais soberanos (Núcleo de Tecnologia do MTST)

https://dandaraeditora.com.br/produto/tecnologia-sem-teto/

  • Una Bolsa de Semillas: ciencia ficción feminista en Abya Yala (Coding Rights

https://codingrights.org/project-item/una-bolsa-de-semillas/

  • Ensaios sobre tecnologia, privacidade e os limites do poder digital (ISOC Brasil)

  • Da evolução à revolução: o uso das tecnologias no processo de retomada, registro e manutenção das identidades das culturas indígenas – Alexsandro Cosmo de Mesquita (Alex Potiguara)

https://drive.google.com/drive/folders/1eLIvACadi799tTJLPqb2xue-x5U0f7R4?usp=sharing

INSTALAÇÕES 

As instalações referem-se a espaços de atividade contínua ao longo do dia, as quais o público pode acessar de modo supervisionado e dialógico.

Instalação 1: Install fest

Espaço de instalação de software livre realizada pelo coletivo Pará livre.

Instalação 2: Bota a cara

“Bota a Cara: vendo pelos olhos do algoritmo” é uma instalação interativa voltada à experimentação prática de tecnologias de reconhecimento facial e análise biométrica. Desenvolvida por pesquisadores/as do projeto de extensão “Dados e ativação comunitária sobre reconhecimento facial na segurança pública” (PROEXT-PG/CAPES), a atividade convida o público a se expor voluntariamente a sistemas que analisam características como idade, gênero, emoções e expressões faciais.
Por meio de dois algoritmos inspirados em modelos utilizados por empresas como Microsoft e Meta, a experiência demonstra, na prática, como funcionam os sistemas de vigilância baseados em inteligência artificial. A proposta é sensibilizar o público para os riscos, vieses, limitações e erros dessas tecnologias, evidenciando como diferentes grupos sociais podem ser impactados de forma desigual por sistemas automatizados de identificação.
Durante a experiência, nenhum dado biométrico é armazenado, transmitido ou compartilhado. As ferramentas operam localmente, sem conexão com a internet, e as imagens captadas são utilizadas apenas em tempo real para a interação, sem qualquer tipo de gravação ou retenção após a participação.
Ao revelar as interpretações produzidas pelos algoritmos em tempo real, a instalação problematiza o uso crescente do reconhecimento facial em espaços públicos e na segurança pública, chamando atenção para os riscos de vigilância, discriminação e criminalização injusta de pessoas inocentes.

Organização

Apoio

Parcerias

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Como uma das atividades desenvolvidas pela Rede de Pesquisa em Governança da Internet, o seu Núcleo de Coordenação administra uma lista de e-mails que hoje possui mais de 150 pessoas inscritas, abrangendo todas as regiões do território nacional, possibilitando uma troca constante de informações sobre pesquisas, eventos, notícias, além de oportunidades de trabalho e bolsas de estudos.

O intuito desta lista é, portanto, contribuir para a integração entre pessoas pesquisadoras e interessadas em temas de Governança da Internet, visando a criação de um espaço plural para discussão destes temas, divulgação de oportunidades acadêmicas, etc.

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